Os 7 Benefícios de um Cérebro Bilíngue.

Updated: Feb 15, 2019



O advento da globalização permitiu ao mundo uma conexão sem fronteiras, mas trouxe também novos desafios para a educação. De acordo com Stephanie Bell-Rose, ex-presidente da Goldman Sachs Foundation (uma prestigiosa ONG Americana dedicada a educação e saúde) é essencial focar-se na resolução de problemas e no desenvolvimento de habilidades cognitivas, uma vez que as crianças de hoje em dia possuem um repertório de informação muito amplo que precisa ser processado e organizado.

E uma ferramenta excelente nessa empreitada é o ensino bilíngue.

De acordo com um estudo feito pela European Comission, em 2006 56% da população mundial era bilíngue, sendo que em muitos países a porcentagem chegava a quase 99% (como é o exemplo de Luxemburgo). Atualmente, segundo o National Institutes of Health, mais de 66% das crianças do mundo se desenvolvem em ambiente bilíngue.

Além disso, ao longo dos 10 primeiros anos de vida, existe uma explosão de aprendizados no desenvolvimento humano, fato este que acontece desde que o bebê está ainda sendo gerado. Quando uma criança nasce, seu cérebro está preparado para fazer um enorme número de sinapses promovendo um rápido e efetivo aprendizado, segundo Susan Jindrich “O cérebro é como um computador, possuindo um enorme potencial de crescimento, dependendo dos estímulos recebidos”, ou seja, a primeira infância é a principal janela de oportunidade do desenvolvimento cognitivo e motor de uma criança.

As atividades propostas até os 10 anos, determinará os padrões de desenvolvimento e aprendizagem de uma criança, e dependendo dos estímulos recebidos, aprendem a solucionar problemas, amadurecem o seu pensamento crítico e as desenvolvem a habilidade de comunicativa (fala, escrita e expressão corporal).

Assim, quais seriam as principais vantagens de se oferecer uma educação infantil bilíngue, quando já se existe tanto pra aprender na língua materna?

1. Flexibilidade Mental

Estudos realizados pela Universidade de Toronto concluíram que crianças bilíngues de idade pré-escolar tem maior flexibilidade cognitiva — quer dizer, uma habilidade superior de lidar com informação visual e verbal conflitante. Isso é devido as chamadas funções executivas, quer dizer, as funções cerebrais que regulam processos como atenção e inibição.

Em uma pessoa bilíngue, informação de ambas as linguagens está sempre vindo à tona. Por exemplo, uma pessoa bilíngue completa automaticamente o começo de uma palavra com palavras de suas duas línguas. Assim “can” pode ser completado como “candy” ou “candle” e também como “cantar” e “cantina”. Uma vez que os dois sistemas de linguagem estão sempre ativos e competindo, essa pessoa usa suas funções executivas toda vez que fala ou escuta. E a prática constante fortalece essas funções e até modifica as áreas do cérebro relacionadas!

2. Flexibilidade Comportamental

As pesquisadoras Alena Esposito e Lynn Baker-Warda constataram que crianças em classes bilíngues de sete a doze anos apresentavam maior sucesso em inibição e troca-de-regras de comportamento; quer dizer, tinham mais sucesso em inibir comportamentos inapropriados (como por exemplo: falar alto na sala de aula) e adaptar seu comportamento quando as regras mudavam (passando da hora do recreio para a hora da aula, por exemplo). Mais uma vez mostrando o fortalecimento de suas funções executivas.

Segundo o mesmo princípio, pessoas bilíngues tem mais facilidade em trocar de tarefa; por exemplo, quando bilíngues tem que trocar entre categorizar um objeto por cor, e categorizar pela forma, eles o fazem bem mais rápido que pessoas monolíngues, refletindo seu controle cognitivo superior.

3. Melhoras no Aprendizado

O bilinguismo amplia a capacidade de uma pessoa a processar melhor a informação de seu ambiente, o que facilita o aprendizado. Esse tipo de atenção aguçada é a razão pela qual cidadãos bilíngues aprendem uma terceira língua mais facilmente do que um indivíduo monolíngue.

Essa vantagem no aprendizado de outros idiomas se dá face a facilidade de uma pessoa bilíngue em se focar nas informações da língua nova e ignorar as línguas que já conhecem. Assim, a pessoa bilíngue tem acesso mais rápido a vocabulário novo, ao contrário de pessoas monolíngues que não estão acostumados e lidar com informações conflitantes.

Esse processo começa a desenvolver desde muito cedo; em bebes de até sete meses!

4. Menor Declínio Mental com a Idade

Estudos mostram que as adaptações de um cérebro bilíngue podem agir como proteção contra a demência nas pessoas idosas. Se postula que, porque o bilinguismo mantem os mecanismos cognitivos bem treinados, o cérebro pode recrutar áreas alternativas do cérebro pra compensar aquelas que ficaram danificadas com a idade. Pessoas bilíngues mais velhas tem melhor memória e melhor controle das funções executivas, se comparada com seus idosos monolíngues.

5. Benefícios Culturais

Desenvolver um alto nível de proficiência em outra língua abre as portas para novos modos de pensar sobre o mundo, e a possibilidade de relacionamentos com pessoas de outras comunidades e de outros países.

6. Benefícios Econômicos

Um estudo realizado pela Universidade da Flórida constatou que pessoas bilíngue em Inglês-Espanhol ganhavam até 7.000 dólares a mais por ano do que seus colegas que falavam apenas Inglês, e que corporações locais “simplesmente não conseguiam achar funcionários bilíngues o bastante”.

7. Benefícios Acadêmicos

Outras pesquisas também constataram que crianças americanas em programas bilíngues (Inglês-Espanhol) tinham maior dificuldade que seus pares monolíngues na leitura do Inglês por volta dos oito ou nove anos. Entretanto, aos treze anos, essas mesmas crianças tinham uma leitura igual ou melhor que seus pares em Inglês e definitivamente melhor em Espanhol.

Sendo assim, não resta dúvida que o investimento numa educação bilíngue traz não apenas benefícios cognitivos, mas também socioeconômicos que perduram a vida toda.

Juliana Frigerio

Principal da WorldEd School


Fontes:(https://www.gdrc.org/kmgmt/learning/child-learn.html; https://educationnorthwest.org/northwest-matters/treating-language-strength-benefits-bilingualism)

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