“É um aprendizado muito maior, para ser um aprendiz para o resto da vida”


Entrevista com Lia Armelin diretora da See-Saw


Fundada em 1994, a SEE-SAW é uma das pioneiras do ensino bilíngue no Brasil. Baseada no modelo “Early Total Immersion” desenvolvido no Canadá, a escola preza por formar alunos que contribuam para um mundo melhor.


Recentemente, a SEE-SAW firmou parceria com a WorldEd; conversamos com Lia Armelin, Diretora Pedagógica do Ensino Fundamental II e Ensino Médio, para conhecer um pouco mais dessa contribuição.



1. Você poderia nos contar um pouco da sua história profissional?


Minha formação é em Psicologia na PUC. Mais recentemente, eu fiz um mestrado internacional na área de educação, com especialização em currículo, ensino e avaliação. Então tenho um Master of Sciences in Education.


Eu comecei como professora de Inglês enquanto cursava a faculdade. Em 2001, comecei a trabalhar na PlayPen, que foi a primeira escola bilíngue do Brasil, a pioneira mesmo. Depois de dois ou três anos que eu estava na PlayPen, eu vim para See-Saw, que também foi uma das primeiras. Está fazendo 25 anos esse ano, e eu estou no meu 15º ano na escola.


2. Quando e como você conheceu a WorldEd?


Eu já vinha há algum tempo procurando algum tipo de certificação para nossa escola, um programa internacional. Já tinha procurado IB (International Baccalaureate) e fui conhecer outras possibilidades, incluindo programas de High School. Recebi a indicação de uma professora aqui da escola, e entrei em contato com a WorldEd.


Percebemos que a WorldEd trazia uma possibilidade que poderia ser flexível, que nós poderíamos integrar no que já tínhamos desenvolvido. Porque existia esse medo, de perder um pouco do que era o nosso DNA, do que nós criamos. Com a WorldEd, encontramos uma certificação, e também a chance de nos alinhar com padrões internacionais de expectativas acadêmicas, mas integrado, também, ao nosso contexto local.


3. Como funcionou a integração da WorldEd com o currículo da See-Saw?


Começamos no ano passado, em um plano piloto. O curso entrou no contraturno, os alunos tinham que se inscrever, e era pago como programa à parte. Houve uma adesão até bastante razoável, mas acho que muitos deles não sabiam o que ia ser exigido, então, vários desistiram. No final, nós tivemos um número bem pequeno. Mas foi mais do que suficiente para nós, professores, conhecermos o programa e entendermos como integrá-lo no nosso currículo. Essa integração acabou de começar, esse ano.


Agora, [os nossos alunos] já têm um currículo completo. Então eles têm Ciências, Estudos Sociais, Projetos e uma parte da língua inglesa, e foi aí que entrou a WorldEd. Com a matéria de English, que engloba a parte de literatura, leitura e escrita. É um curso bastante denso, muito exigente.


4. Quais os benefícios que o currículo internacional trouxe para a See-Saw?


Eu acho que, no nosso caso, nos abriu, justamente, para o mundo. Trouxe o mundo para dentro da escola. As exigências do mundo lá de fora.


Eu tenho esse papel, de sempre trazer o mundo de fora para dentro. Desde parâmetros internacionais de exigência acadêmica, até materiais didáticos e estratégias de ensino. É diferente quando você tem recursos vindos de fora, criados com a cabeça de alguém de fora, porque é outra mentalidade. Você tem que aprender a pensar por outra perspectiva.


Além disso, a WorldEd trouxe um aspecto de tecnologia. Esse tipo de aprender, através da plataforma, que é muito baseado no “aprender a aprender”, a você se auto-monitorar, se autocorrigir, procurar soluções para os seus problemas você mesmo. Você tem os seus recursos, pode procurar o professor, pode voltar e ver de novo, escutar de novo. Eu acho que esse tipo de recurso, enquanto aprendiz, enquanto estudante, é muito rico. Não é só a língua, é um aprendizado muito maior em termos de preparo para ser um aprendiz para o resto da vida.


5. Como os alunos/as famílias percebem o currículo?


A recepção foi boa. As famílias gostaram de perceber essa perspectiva de uma internacionalização, desse preparo maior para os alunos, que podem alçar voo para o mundo externo.


Mas eu sinto que ainda existe grande desinformação. Eu costumo dizer, “Gente, todos os americanos ganham o diploma de High School quando eles acabam o High School, e isso não garante que ninguém vai entrar em Harvard.” Aqui no Brasil é a mesma coisa. Ter um diploma de conclusão do ensino médio não te garante nada da Universidade. Principalmente nessa cultura Americana que não é baseada no “acabou”, ela é baseada no “Como é que você fez? O que é que você fez?”


E esse é um entendimento que demora muito a chegar na nossa cultura brasileira, porque é muito baseado na cultura do vestibular. Passou ou não passou. Não é o quanto você construiu ao longo da vida acadêmica. É binário. Não é processual. Então, acho que nós temos um caminho a percorrer. Aos poucos os pais vão percebendo, e principalmente através dos resultados. Porque eu vi, nos alunos que eu acompanhei ano passado, é visível. Eles próprios ainda não conseguem ver, mas quem está aqui, do lado do professor, vê sim, muitos avanços.


6. O que você espera, no futuro, da sua parceria com a WorldEd?


Agora queremos viver essa experiência, porque a integração não é simples. O nosso currículo é muito exigente, e o currículo que estamos integrando também é. Então é um processo exigente. Os professores têm que se adaptar. Esse processo provavelmente vai durar esse ano, e ainda ano que vem.


7. Qual foi a maior dificuldade encontrada na implantação do currículo?


A questão do tempo. Esse programa exige tempo para ser bem feito. Até os alunos se acostumarem com a ideia de ser agentes, de procurar, se envolver, serem autônomos. Tudo tem um processo. Durante o piloto, perto do fim do ano, os alunos já estavam muito bem treinados, então o tempo era suficiente. Eles já estavam conscientes do papel deles, já sabiam o que tinha que ser feito.


Acredito que no ano que vem, alunos que já fizeram o currículo vão estar diferentes, muito mais familiarizados com esse sistema, e o progresso vai ser mais rápido. O professor também tem que se adaptar. O programa é grande e tem muitos elementos. Como professor, temos que ler todos os materiais com muito afinco. E tudo isso leva tempo, tempo mesmo. E só passando mais uma vez pelo processo todo para poder desenvolver um senso crítico.




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